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Samuca Gerber

Catarinense de nascimento, mas de família gaúcha, Samuca Gerber é o designer residente da Salva. Talento precoce, Samuca começou a desenhar aos 6 anos de idade e aos 17 ingressou no Instituto de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A paixão pelo mobiliário viria a se manifestar poucos anos depois na faculdade de Design de Interiores da ULBRA e ao ingressar no mercado de trabalho, atuando em estúdios gaúchos reconhecidos no segmento. Perfeccionista ao extremo, logo quis ter controle absoluto sobre o produto final de seus layouts. Por isso, mergulhou no universo da marcenaria e passou a realizar os projetos do inicio ao fim. Foi esta experiência que o levou à Salva e que hoje pode ser conferida em diversos produtos premiados e inovadores que a marca apresenta ao mercado mundial de decoração premium. Aos 29 anos, Samuca é o responsável pela curadoria criativa da empresa e um dos expoentes da nova geração brasileira de designers de mobiliário.

Entrevista

1) Quando olhamos as suas peças, o que vemos em cada uma delas? Qual a sua principal característica como designer?

Cada peça é única, mas todas nascem de muito trabalho, diferentes processos criativos, estudos, testes e, principalmente, histórias. Eu, como designer residente da Salva, tenho a oportunidade de participar de todos os processos de desenvolvimento de um produto, desde a concepção, prototipagem, definições e produto final. Talvez minha principal característica é conhecer o processo como um todo e saber usar isso como laboratório de experimentação para produtos inovadores e com a cara da marca.

2) Quais são as suas principais inspirações ao iniciar um novo projeto?

São diversas fontes. Livros, artistas, conversas, viagens, músicas. Parece clichê, mas o uso da 'carga cultural' é fundamental para o processo criativo. O grande desafio é sintetizar em produtos as minhas experiências. Cada projeto é fruto de muito trabalho, ajustes, erros e acertos.

3) Num projeto, qual fase mais lhe encanta?

Sou apaixonado por todo o processo de um projeto. Briefing, sketchs, projeto técnico, execução, tudo me encanta muito e me faz querer melhorar e crescer. Mas, o que me arrepia é ver os primeiros protótipos 'saindo do forno'. O nascimento de um novo produto, em escala final, nos acabamentos de produção dão uma nova percepção ao projeto. A lacuna entre o desenho no papel e o produto físico é enorme, me encanta ver isso acontecer.

4) Para você, quais os principais diferenciais do design brasileiro?

A tão falada 'brasilidade'. Nosso país tem uma luz diferente quando se fala em criatividade e isso é visível em todos os setores e temas. No design de produto não é diferente. Talvez seja a vasta diversidade cultural, ou a quantidade de recursos naturais diversos, mas fica visível a capacidade dos profissionais brasileiros de arranjarem esse 'balaio de informação' em produtos inovadores e protagonistas, amados aqui e em todo mundo.

5) A Salva utiliza em seus produtos uma das matérias-primas mais nobres, duráveis e atemporais: o couro. Conte um pouco sobre como é trabalhar aplicando este material em suas peças.

Eu sou suspeito em falar. Eu vivencio o trabalho com o couro diariamente e cada dia me surpreendo mais com essa matéria prima. É um material fantástico, com vida própria e único. Pensar novos produtos para couro fez com que eu desenvolvesse um conceito de projeto olhando pra performance do material de maneira otimizada, mas ao mesmo tempo descontraída e inovadora.

6) Uma vida com mais design é...

Não consigo pensar no design como um elemento quantitativo, mas sim como um conceito coletivo de respeito ao usuário. Tornar a vida do próximo mais interessante deveria ser o norte de todo designer. Uma vida com mais design é pensar de maneira objetiva em como interagimos com os objetos que compõem nossas rotinas e em como consumimos esses objetos.